Me diz que não aprendeu a fazer suco que volto atrás, pulo o muro e repito, como quando me ensinou sobre as panquecas, mas dessa vez, por favor, não se esqueça de tirar o caroço já que "de azedo já basta a vida", exatamente como diria a minha mãe. Sabe, desisti de tentar entender a lógica que há em não haver nada de lógico aqui e de ser, exatamente isso, o que eu mais gosto em nós. E eu sei que ando desistindo muito ultimamente, mas você conhece o meu medo de altura o suficiente pra questionar agora a minha preferência por subir um degrau de cada vez.
Me lembro de cada detalhe daquela tarde em que sentada no sofá azul da sala com a mesa de vidro eu tentava te explicar toda a teoria que nunca consegui entender direito sobre isso tudo ser ao mesmo tempo problema e solução enquanto você sorria e dizia que se eu fosse tão esperta quanto acreditava ser perceberia que era preciso entender antes de explicar, pois bem, acho que finalmente entendi o bastante para explicar que se eu fosse mesmo tão esperta quanto acreditava ser, não estaria aqui te trazendo de volta apenas porque é muito mais fácil lidar com a tristeza do que com o vazio.