sábado, 17 de novembro de 2012

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profundo o suficiente 
para que até quem sempre preferiu 
manter os pés no chão arriscasse se afogar

sábado, 11 de agosto de 2012

Querido Novembro,

Tu sabes tão bem quanto eu que nunca pretendi ser daquelas que falam do amor como se o mesmo fizesse mais sentido do que qualquer outro sentimento, ainda que saiba também que pra mim, talvez, sempre tenha feito. E é por isso que não te culpo pelo fato de que o nosso não tenha dado samba e nunca permito que ninguém culpe, posto que tanto eu quanto você sempre fomos mais adeptas do blues. Enquanto tudo muda lá fora, aqui dentro continua igual. Vais gostar de saber que já não faço mais tanta bagunça tentando explicar o inexplicável ou adiar o inadiável. É claro que ainda te vejo por muito de onde vou, mas agora gasto sorrindo o tempo que antes gastava piscando. Se hoje te escrevo é pra dizer que o que tivemos continua tão belo quanto sempre foi e que eu acho que finalmente entendi que um ponto final, vez por outra, cai tão bem como calda de chocolate em bolo de cenoura, sendo assim muito melhor do que qualquer reticência sequer cogitaria ser.

Carinho, Agosto.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

I mean the blackbirds in ur left shoulder.

E se eu tivesse tido voz tanto quanto tive vontade, teria dito sem pensar duas vezes que são agora os teus, meus devaneios (boêmios ou não) favoritos, incluindo até aqueles que nem chegou a compartilhar comigo da mesma forma que fez com o cigarro que acendeu o meu quando fogo nenhum foi capaz de fazê-lo. Tu, assim como "Exímia", és também boa demais para os clichês e metáforas, de modo que enquanto te ouvia se tornar maior do que a cozinha, a sala e o corredor escuro com aquele papo sobre médicos e sutilezas que nós sabíamos fazer tanto sentido quanto algo que não faz muito sentido, - e que nem em dois milhões de anos eu interromperia pelo simples prazer tão novo de te ver falando - jurei dia desses criar um dicionário inteiro pra você, só pra que quando me citar de novo, eu possa dizer sem rodeios que pássaros como aqueles só podiam mesmo morar no ombro de pessoas como você. Só pra que quando me citar de novo, eu possa te fazer entender que é como se o mundo tomasse novo rumo e a minha função tivesse ficado clara em um piscar de olhos e fosse justamente esclarecer todas as dúvidas literárias que alguém como tu pudesse ter sobre alguém como eu.

domingo, 15 de abril de 2012

Romanticism Terrorist

Talvez tenha se cansado das minhas tentativas de salvá-la na mesma tarde em que também cansei de tentar e soltei sua mão, pois de tanto falar que o dia chegaria, não tinha mais voz pra dizer coisa alguma quando o mesmo chegou. Ele uma noite leu em algum lugar que a vida só muda quando se está ao fundo do poço, mas aposto que não sabia que cair sempre vai ser o melhor modo de descer até lá.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Too heavy to hold, 
will force you to be cold.

Um daqueles que fazem tanto sentido quanto pensar em você.

E ele se tornou especialista em construir castelos-com-paredes-de-palavras-nunca-ditas mesmo esquecendo-se de por a porta, bem no momento em que percebi que não haviam aulas de escalada no curso sobre latência do qual nem sequer participei por não ter tempo pra nada justo quando - agora eu sei - eu tinha tempo pra tudo. O meu problema, aliás, sempre foi procurar problemas em soluções e ver soluções em mais problemas, de modo que a nossa relação só me curava dos vícios por ser ainda mais viciante, assim como o veneno se torna o remédio para a picada até da mais letal das cobras, mas de antídotos ele nunca entendeu bem, era muito melhor em antíteses, ah, sim... Nisso ele era muito bom..

sábado, 31 de março de 2012

Sobre sucos, panquecas, sofás e teorias.

Me diz que não aprendeu a fazer suco que volto atrás, pulo o muro e repito, como quando me ensinou sobre as panquecas, mas dessa vez, por favor, não se esqueça de tirar o caroço já que "de azedo já basta a vida", exatamente como diria a minha mãe. Sabe, desisti de tentar entender a lógica que há em não haver nada de lógico aqui e de ser, exatamente isso, o que eu mais gosto em nós. E eu sei que ando desistindo muito ultimamente, mas você conhece o meu medo de altura o suficiente pra questionar agora a minha preferência por subir um degrau de cada vez.
Me lembro de cada detalhe daquela tarde em que sentada no sofá azul da sala com a mesa de vidro eu tentava te explicar toda a teoria que nunca consegui entender direito sobre isso tudo ser ao mesmo tempo problema e solução enquanto você sorria e dizia que se eu fosse tão esperta quanto acreditava ser perceberia que era preciso entender antes de explicar, pois bem, acho que finalmente entendi o bastante para explicar que se eu fosse mesmo tão esperta quanto acreditava ser, não estaria aqui te trazendo de volta apenas porque é muito mais fácil lidar com a tristeza do que com o vazio.