Tu sabes tão bem quanto eu que nunca pretendi ser daquelas que falam do amor como se o mesmo fizesse mais sentido do que qualquer outro sentimento, ainda que saiba também que pra mim, talvez, sempre tenha feito. E é por isso que não te culpo pelo fato de que o nosso não tenha dado samba e nunca permito que ninguém culpe, posto que tanto eu quanto você sempre fomos mais adeptas do blues. Enquanto tudo muda lá fora, aqui dentro continua igual. Vais gostar de saber que já não faço mais tanta bagunça tentando explicar o inexplicável ou adiar o inadiável. É claro que ainda te vejo por muito de onde vou, mas agora gasto sorrindo o tempo que antes gastava piscando. Se hoje te escrevo é pra dizer que o que tivemos continua tão belo quanto sempre foi e que eu acho que finalmente entendi que um ponto final, vez por outra, cai tão bem como calda de chocolate em bolo de cenoura, sendo assim muito melhor do que qualquer reticência sequer cogitaria ser.
Carinho, Agosto.
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